Quem trabalha com terraplenagem no Alto Tietê sabe que o comportamento do solo muda completamente entre a várzea do Rio Tietê e as encostas da Serra de Itapeti. Em Itaquaquecetuba, essa transição é brutal: num extremo da cidade encontramos argilas orgânicas saturadas com baixíssima capacidade de suporte; no outro, solos residuais de granito que exigem atenção com a expansibilidade e o controle de compactação. Para um projeto viário comercial ou de loteamento industrial, pular a caracterização geotécnica é abrir mão de prever o desempenho do pavimento ao longo dos anos. O ensaio CBR, executado com a energia de compactação adequada à solicitação de tráfego prevista, nos dá o índice de suporte que define desde a espessura das camadas até a necessidade de substituição de material. E aqui em Itaquaquecetuba, onde a malha viária se expande empurrada pelo crescimento logístico da RMSP, esse dado precisa ser coletado com critério. Frequentemente associamos a investigação a um ensaio de granulometria para entender a curva granulométrica do subleito e validar a escolha da jazida de empréstimo.
A diferença entre um pavimento que trinca em dois anos e um que dura vinte está no CBR de projeto — e em Itaquá, esse valor nunca se presume, se mede.



